Prêmio Mulheres do Agro amplia protagonismo no campo em ano marcado pela valorização da agricultora

Por: Rogério Cabral

A agricultura brasileira também é construída pelas mãos, decisões e conhecimentos de mulheres que atuam diariamente dentro e fora das propriedades rurais. Em 2026, esse protagonismo feminino ganha ainda mais visibilidade com o Ano Internacional da Mulher Agricultora, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

É nesse contexto que chega à 9ª edição o Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa da Bayer em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). Criada em 2018, a premiação reconhece trajetórias femininas no agronegócio e, neste ano, bateu recorde de inscrições, com 394 participantes. Ao longo de sua história, a iniciativa já destacou o trabalho de 85 mulheres, entre produtoras rurais e pesquisadoras.

Foram reconhecidas nove produtoras rurais e uma pesquisadora. A premiação busca dar visibilidade a mulheres que exercem uma gestão inovadora e sustentável e a pesquisadoras que contribuem para o avanço científico e tecnológico do setor.

A cerimônia reuniu cerca de 300 pessoas e foi marcada por debates sobre os caminhos da agricultura brasileira e começou com poesia. O texto apresentado na abertura destacou a presença das mulheres no campo e sua capacidade de transformar trabalho, liderança e conhecimento em novas histórias para o setor.

Para Márcio Santos, CEO da Bayer Brasil, a diversidade está diretamente relacionada à capacidade de inovar. “O conceito básico de inovação é uma maneira nova de resolver um problema antigo. Por isso, a diversidade é essencial para o que a gente faz. Esse prêmio valoriza a diversidade e dá voz a mulheres fantásticas”, disse.

Santos também ressaltou o momento simbólico para a companhia, que completa 130 anos de atuação no Brasil em 2026.

Reconhecimento com sustentabilidade

A escolha das vencedoras considera critérios ambientais, sociais e de governança, incluindo o uso racional dos recursos naturais, eficiência produtiva, saúde do solo e desenvolvimento das comunidades.

Para Caroline Assalve, Líder de Gestão Executiva da divisão agrícola da Bayer, reconhecer o impacto das mulheres no campo é parte de um compromisso contínuo da companhia.

“Reconhecer as mulheres e o impacto excepcional que geram no campo é um compromisso contínuo da Bayer. Conhecer a fundo suas trajetórias durante o evento, que foi desenhado para ampliar essa troca de experiências, trouxe uma proximidade ainda mais inspiradora”, afirmou.

Segundo Caroline, o resultado da edição de 2026 reforça a importância de ampliar a visibilidade feminina no setor. “Em um ano simbólico, ver o engajamento desta edição reafirma que dar visibilidade às mulheres do agro é acelerar o futuro e fortalecer o próprio setor”, pontuou.

A importância desse reconhecimento também aparece em números. De acordo com o estudo “Produtoras rurais e a inovação no campo”, realizado em 2025 pelo Instituto Quiddity em parceria com a Bayer, 78% das produtoras afirmam que dar maior visibilidade à sua atuação é determinante para ampliar a participação feminina na cadeia produtiva.

Da porteira para toda a cadeia

Para Daniela Barros, da Bayer, a presença feminina sempre esteve ligada ao desenvolvimento do agronegócio, mas o reconhecimento dessa participação vem ganhando novas dimensões.

Essa evolução aparece não apenas na gestão das propriedades, mas também na participação das mulheres em decisões estratégicas, na adoção de tecnologias, na pesquisa e na construção de soluções para os desafios da agricultura.

Para Gislaine Balbinot, diretora executiva da ABAG, o impacto dessas mulheres ultrapassa as porteiras das propriedades. ”A Abag tem orgulho de construir essa trajetória junto com a Bayer. Trata-se de uma iniciativa que cria uma verdadeira rede de inspiração”, falou.

Gislaine também lembra que a entidade foi responsável, há cerca de uma década, por um estudo pioneiro sobre a presença feminina no agro brasileiro, contribuindo para ampliar o olhar sobre o papel das mulheres no setor.

“De lá para cá, o agro mudou, evoluiu, assim como a participação e a atuação das mulheres em toda a cadeia. As histórias desta edição mostram essa transformação na prática e reforçam a importância de reconhecer e valorizar cada vez mais esse protagonismo”, detalhou.

Segundo ela, a eficiência produtiva, aliada à sustentabilidade e à responsabilidade social, é parte fundamental desse avanço.

Transição energética entra no debate

No primeiro painel do evento, a discussão se concentrou na transição energética e nos impactos da expansão dos biocombustíveis sobre as diferentes regiões produtoras.

Ao abordar os efeitos da expansão das usinas de biocombustíveis sobre a economia regional, a produtora rural Dulce pontuou que a atividade tem potencial para movimentar diferentes setores e gerar valor ao longo de toda a cadeia. Segundo ela, as usinas podem estimular uma ampla rede de negócios e serviços, com impactos que vão além da produção de biocombustíveis.

A expansão dessa atividade também abre espaço para geração de renda, desenvolvimento regional e novas oportunidades para diferentes elos da cadeia produtiva.

O debate evidenciou que a transição energética não se limita à substituição de fontes de combustível. O processo envolve também a movimentação da economia, a criação de oportunidades e a distribuição de valor entre diferentes setores e regiões produtoras.

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Tecnologia também transforma a gestão das propriedades

Vencedora da premiação em 2018, Celi Webber acompanhou de perto a transformação tecnológica da agricultura ao longo das últimas décadas.

Ao comparar a realidade vivida pela geração de seus pais com a atual, ela chamou atenção para a expansão da assistência técnica, das universidades, da profissionalização e das ferramentas disponíveis para a gestão rural.

“A mulher saiu de dentro da porteira para colaborar com o desenvolvimento da propriedade. Eu levei muita informação para dentro da minha propriedade”, disse Celi.

A produtora também contou como a tecnologia passou a fazer parte de diferentes etapas da gestão, desde o acompanhamento das atividades até a capacitação dos funcionários.

“Temos toda uma parte de software para compilar todos os dados desde 1990. Também temos ferramentas para melhorar a gestão e a capacitação dos funcionários”, explicou.

Ao falar sobre a atuação feminina nas propriedades, Celi ressaltou ainda a contribuição das mulheres para ampliar a atenção às condições de trabalho e ao bem-estar dos funcionários.

“A presença da mulher foi importante para levar mais saúde, EPIs e cuidado com os funcionários. Se você cuida do funcionário, ele vai aprender e cuidar da família”, afirmou.

Decisão no campo cada vez mais baseada em dados

A tecnologia também está presente no planejamento das atividades agrícolas. Celi contou que acompanha constantemente as previsões meteorológicas para definir estratégias de manejo em culturas como soja, milho e trigo.

O planejamento, no entanto, não depende de uma única ferramenta. Segundo ela, a tomada de decisão combina previsão climática, qualidade das sementes, tratamento, plantio direto, manejo e uso adequado de produtos químicos e biológicos.

“A gente procura fazer as aplicações corretas, associa os produtos químicos com os biológicos na melhoria do solo, porque temos problemas de doenças. Hoje temos cultivares de diferentes culturas mais resistentes às doenças”, concluiu Celi.

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