O Rio Grande do Sul sediou, nesta terça-feira (13), a primeira abertura nacional da colheita de canola, em Ijuí, no noroeste do estado. A cerimônia ocorreu na casa da 3tentos na Expofest Ijuí, e marcou o avanço da canola entre as culturas de inverno no país.
A iniciativa reuniu representantes do setor público e da cadeia produtiva para destacar o potencial econômico da cultura, que dobrou a área cultivada no estado em relação a 2025.
A área destinada à canola no Rio Grande do Sul em 2026 chega a 353.397 hectares, ante 174.394 hectares no ano anterior. A produção inicialmente projetada é de aproximadamente 572 mil toneladas, com produtividade média estimada em 1.619 quilos por hectare.
As projeções indicam crescimento de aproximadamente 100% na área cultivada e na produção em relação ao ano anterior. Os resultados efetivos, entretanto, dependem das condições das lavouras e do andamento da colheita, que enfrenta perdas pontuais provocadas por granizo, vendavais e doenças.
Ato de abertura
Para o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, o avanço dos biocombustíveis abre oportunidades para ampliar a produção agrícola e fortalecer a cadeia da canola no Estado.
“Essa demanda industrial pode impulsionar a produção agropecuária e ampliar o aproveitamento das áreas cultivadas no inverno. Nesse cenário, a canola e a carinata são importantes alternativas para diversificar as culturas e fortalecer a matriz produtiva do estado”, destacou Madalena.
O secretário anunciou ainda a instituição da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel, por meio de instrução normativa. O colegiado será um espaço de diálogo entre o setor produtivo e o poder público para discutir estratégias de desenvolvimento da cadeia, incluindo a definição da data de abertura da colheita de canola em 2027.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola), Vantuir Scarantti, disse que a expansão da cultura depende da integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.
“O nosso desafio é ampliar esse crescimento, fortalecendo não apenas o mercado de óleo para biocombustíveis, mas também o de farelos e proteínas. Para isso, precisamos da participação conjunta de produtores, indústria, empresas apoiadoras e poder público, com o objetivo de expandir a cultura e consolidar seu desenvolvimento até 2030”, afirmou.