Evento abordou inclusão, desenvolvimento infantil, uso de telas e participação das famílias no processo escolar
Por Fala Pompeia
Quando se fala em qualidade na educação Pompeia está entre os primeiros lugares, prova disso foi a realização do 5º Inoveduca, realizado nos dias 25 e 26 de junho, no Ginásio Jiro Nishimura, do Colégio Shunji Nishimura, na cidade. Com o tema “Construindo a Educação que o Brasil precisa”, o encontro reuniu mais de 250 profissionais da educação de diferentes municípios. A programação incluiu workshops e palestras voltadas à gestão escolar, metodologias ativas, inovação, educação socioemocional e alfabetização baseada em evidências.
O evento propôs uma discussão sobre os caminhos da educação e os desafios enfrentados por escolas, famílias e profissionais da área. A psicopedagoga e escritora Isa Minatel abordou a importância das relações no processo educativo. Segundo ela, ao lado dos conteúdos e métodos aplicados em sala de aula, o vínculo entre educador e educando, precisa ser considerado.
“Existe uma coisa que às vezes a gente negligencia e que talvez seja o que mais educa em relação a tudo que a gente conhece, que são as relações. É a troca entre educador e educando”, disse a palestrante.
A palestrante também defendeu que pais e responsáveis busquem formação para acompanhar melhor o desenvolvimento dos filhos e defendeu que as interações interpessoais, com foco excessivo em métodos, negligencia o vínculo humano. “Às vezes a gente foca só em conteúdos, só em métodos e pouco nas relações”.

Isa Minatel destacou ainda a preocupação que a cidade de Pompeia está tendo com a educação. “Apesar de ser pequena como número de habitantes, ainda assim, eu acho que é o maior exemplo que a gente tem, que não importa tamanho, basta pessoas bem-intencionadas e que realmente consigam trazer coisas e modelos que funcionam e aí serve de inspiração para todo o país”.
O advogado Gustavo Peixoto tratou da inclusão escolar a partir das obrigações previstas em lei. Em sua fala, ele destacou que escolas, gestores, professores e profissionais de apoio precisam compreender o que a legislação determina e quais procedimentos devem ser adotados.

“No nosso workshop sobre a lei da inclusão, eu vou trazer para a gestão escolar, para os professores, para os profissionais de apoio escolar, quais são as reais obrigações que a lei da inclusão traz na gestão escolar. E sim, é uma obrigação, a escola tem que ser inclusiva, tem que ser acolhedora”.
O palestrante ressaltou que a cooperação familiar evita conflitos jurídicos e garante o aprendizado. “A escola tem que ser inclusiva, tem que ser acolhedora”, pontuou.
O professor doutor Rodrigo Flores Sartori, apresentou estudos sobre a relação entre movimento corporal e desenvolvimento das funções cognitivas. A palestra discutiu como experiências motoras durante a infância podem influenciar processos ligados à alfabetização e ao desempenho escolar. Sartori também relacionou o tema ao aumento do uso de telas e à redução de espaços de brincadeira e movimento. “Existe uma privação do movimento na infância que é assustadora”, alertou.
O debate também destacou a importância de políticas públicas que preservem espaços urbanos voltados ao lazer e brincadeiras. Sartori comparou a realidade de municípios menores, como Pompeia, com os grandes centros, onde o acesso a espaços públicos é restrito.
“A temática em si é mostrar essas relações entre o movimento e o desempenho dessas funções cognitivas. Enquanto não houver leis que restrinjam, por exemplo, o uso de redes sociais para as crianças, elas vão ter problemas sérios do ponto de vista da saúde na infância”, lembrou.

Ao longo do encontro, os palestrantes relacionaram os temas apresentados a questões práticas enfrentadas pelas escolas. Entre os pontos discutidos estiveram a parceria entre escola e família, a organização de procedimentos de inclusão e a necessidade de atenção ao desenvolvimento infantil em diferentes dimensões. As falas também indicaram que a educação exige articulação entre profissionais, responsáveis e comunidade.
Primeiro, é impressionante a organização desse evento, em Pompeia, no sentido, vamos chamar que é uma cidade pequena, mas que conseguiu mobilizar professores, pessoas da educação, da saúde, para vir discutir educação que é talvez a grande ferramenta, o grande mote do desenvolvimento de uma sociedade”, elogiou Sartori.
Pensando em educação
Criado pelo Colégio Shunji Nishimura, com apoio institucional da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia, a edição 2026 do Inoveduca teve como público educadores, estudantes, terapeutas, pais e responsáveis. A proposta foi reunir diferentes áreas ligadas à aprendizagem para debater práticas e desafios do ensino.
Um dos idealizadores do evento, Jorge Nishimura, destacou que a iniciativa busca ampliar o acesso a discussões sobre educação na região.

“A gente entende que todas as ações e atividades que produzem crescimento dentro da sociedade, em qualquer área, são muito úteis. O Inoveduca, de certa forma, é algo extraordinário na região, porque não temos nenhuma conferência ou evento semelhante, com profissionais experientes compartilhando ensinamentos que todos nós, como educadores, precisamos”, ressaltou o fundador da Universidade da Família (UDF).