Dólar em alta sustenta preços da soja no Brasil, apesar de quedas em Chicago

Por: Rogério Cabral

O mercado brasileiro de soja deve encerrar a semana com preços firmes nesta sexta-feira (30), sustentado pela valorização do dólar frente ao real. O movimento cambial tem compensado parte das perdas registradas na Bolsa de Chicago, que acumula cinco sessões consecutivas de queda.

Segundo a consultoria Safras & Mercado, a expectativa é de manutenção do ritmo observado ao longo da semana, com negociações moderadas e preços sustentados pelo câmbio favorável.

Na quinta-feira (29), as cotações da soja no Brasil registraram predominância de altas, apesar da desvalorização dos contratos futuros em Chicago.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a sessão foi marcada pela firmeza das ofertas nos portos e pela maior participação das indústrias esmagadoras nas negociações do mercado interno.

“A alta recente do câmbio tem ajustado o mercado e pressionado as indicações dos compradores a subirem”, afirma Silveira.

Nos portos, os preços oferecidos para entrega imediata apresentaram condições mais favoráveis aos produtores, embora com prazos de pagamento alongados.

No interior, as indústrias esmagadoras também elevaram suas indicações de compra em algumas regiões, buscando garantir o abastecimento até dezembro. Em determinados mercados, os valores oferecidos superaram a paridade de exportação.

Preços da soja sobem até R$ 2 por saca

No mercado físico brasileiro, a quinta-feira foi marcada por valorizações de até R$ 2 por saca de 60 quilos, especialmente nos portos.

Confira as cotações apuradas pela Safras & Mercado:

Valores referentes à quinta-feira (29), segundo a Safras & Mercado.

Entre as praças acompanhadas, o Porto de Rio Grande apresentou a maior valorização, com avanço de R$ 2 por saca.

No interior, a maioria das regiões registrou altas de R$ 1, enquanto Rondonópolis manteve os preços estáveis. A exceção foi Rio Verde, onde houve recuo de R$ 1 por saca.

Soja em Chicago acumula cinco sessões de queda

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja continuam pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, que amplia a disponibilidade da oleaginosa no mercado internacional.

Na manhã desta sexta-feira, o contrato com vencimento em novembro de 2026 registrava queda de 0,18%, cotado a US$ 12,17 e meio por bushel.

Caso as perdas sejam mantidas até o fechamento, a soja completará a terceira semana consecutiva de desvalorização na bolsa norte-americana.

O cenário contrasta com o mercado brasileiro, onde a alta do dólar tem contribuído para sustentar os preços pagos aos produtores.

Dólar sobe e favorece cotações no mercado doméstico

Por volta das 9h23 desta sexta-feira, o dólar comercial registrava valorização de 0,48%, negociado a R$ 5,4132.

A alta da moeda norte-americana aumenta a competitividade da soja brasileira no mercado externo e contribui para elevar os valores de referência em reais, mesmo diante das perdas observadas em Chicago.

Enquanto isso, os prêmios de exportação apresentaram apenas pequenas oscilações na quinta-feira.

Com esse cenário, a expectativa da Safras & Mercado é de que o mercado brasileiro mantenha as cotações firmes no encerramento de outubro, embora a movimentação comercial ainda deva ocorrer sem volumes expressivos.

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *