Brasil poderá usar cota de carne não utilizada pelo Uruguai na China, diz Lula; país asiático ainda não confirmou

Por: Rogério Cabral
carne bovina estampada com bandeira do brasil
Foto: Pixabay/arte Canal Rural

O Uruguai autorizou ao Brasil o uso do excedente de sua cota de exportação de carne bovina à China, disse nesta segunda-feira (21) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em postagem na rede social X.

O país vizinho tem autorização de embarcar até 324 mil toneladas da proteína para o gigante asiático em 2026, passando para 331 mil toneladas em 2027. Já ao Brasil couberam 1,1 milhão de toneladas, volume superado precocemente em cerca de sete meses.

Contudo, ainda não houve confirmação oficial do governo chinês sobre a possível transferência de utilização da cota uruguaia ao Brasil. Não há, até o momento, manifestação do Ministério do Comércio da China (Mofcom) ou mesmo da Embaixada da China sobre a medida.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), por sua vez, disse em nota que avalia como positiva toda iniciativa que possa ampliar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado chinês. Porém, enxerga que um eventual aproveitamento do excedente da cota uruguaia teria efeito limitado em 2026, considerando o tempo necessário para negociação, embarque e trânsito da mercadoria até a China.

“Para 2027, a medida pode representar uma alternativa importante, especialmente diante da cota brasileira de 1,128 milhão de toneladas e do risco de seu esgotamento já nos primeiros meses do ano, caso se mantenha o atual ritmo de vendas”, destacou.

É válido lembrar que desde janeiro de 2026, a China passou a limitar a quantidade de carne bovina que pode ser importada de diferentes países. A medida busca proteger os produtores do país diante do menor preço ofertado por grandes produtores, como o Brasil.

Desde então, houve uma “corrida” entre os exportadores, o que fez com que o volume destinado ao Brasil se esgotasse antes do tempo. Em junho deste ano, por exemplo, foram embarcadas 158,3 mil toneladas da proteína brasileira à China. Já em agosto, o volume caiu para cerca 16,1 mil toneladas, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Ainda não há confirmação oficial sobre o quanto o Uruguai utilizou de sua cota em 2026. Porém, levantamento do setor indica que menos de 30% do volume a que tem direito havia sido escoado até meados de julho, ou seja, aproximadamente 97 mil toneladas.

O Brasil, por sua vez, tenta desde janeiro aval da China para utilizar a cota de países que não estivessem conseguindo exportar os seus volumes destinados. A salvaguarda asiática entrou em vigor no início deste ano e deve se estender até o fim de 2028.

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