Arroba do boi gordo chega a R$ 380 e bate recorde histórico de mais de 30 anos, aponta Cepea

Por: Rogério Cabral

O preço do boi gordo atingiu um novo recorde nominal histórico nesta quinta-feira (15), com o Indicador Cepea/Esalq, referência para o estado de São Paulo, chegando a R$ 380 por arroba. É o maior valor registrado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, desde o início da série histórica, em 1994.

A valorização da arroba vem sendo observada desde o início de setembro e já acumula alta de 10,4% no período. Segundo pesquisadores do Cepea, o principal fator por trás desse movimento é a oferta limitada de animais prontos para abate, que permanece abaixo da demanda dos frigoríficos.

Quando considerada a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), o atual patamar se aproxima do registrado em 11 de novembro de 2020. Naquela ocasião, o indicador nominal estava em R$ 292 por arroba, equivalente a aproximadamente R$ 385 em valores atualizados.

Por que o preço do boi gordo continua subindo?

De acordo com o Cepea, a valorização ocorre em um cenário de restrição na oferta de animais, mesmo diante das preocupações do mercado com uma possível redução das exportações brasileiras de carne bovina para a China.

Em setembro, o Brasil atingiu a cota de exportação estabelecida pelo país asiático para 2026, de 1,106 milhão de toneladas. Como a China é o principal destino da carne bovina brasileira, agentes do setor temiam que a limitação das compras pudesse pressionar os preços da arroba.

Entretanto, o comportamento dos pecuaristas diante dessa possibilidade acabou contribuindo para a redução da oferta.

Segundo pesquisadores do Cepea, o receio de uma desaceleração das compras chinesas levou muitos produtores a adiar a entrada de animais nos confinamentos, diminuindo a disponibilidade de bovinos terminados para abate.

Além disso, os custos mais elevados de reposição, que reduzem as margens de lucro na etapa de engorda, também têm limitado a oferta de animais.

Outro fator apontado pelo centro de pesquisas é o volume recorde de exportações de gado vivo, que contribui para reduzir a disponibilidade de bovinos no mercado brasileiro.

Exportações seguem aquecidas apesar da redução das compras chinesas

Mesmo com a diminuição das compras da China nas últimas semanas, a demanda internacional pela carne bovina brasileira permanece relevante.

Segundo o Cepea, outros mercados, especialmente os Estados Unidos, ampliaram a procura pela proteína nacional, ajudando a sustentar o ritmo das exportações.

Com isso, os volumes totais embarcados nos últimos meses continuam elevados quando comparados aos registrados antes da expansão da participação chinesa no comércio internacional de carne bovina brasileira.

Esse cenário ajuda a explicar por que a redução das compras chinesas não provocou, até o momento, a pressão de baixa sobre os preços que parte do mercado esperava.

Consumo interno também sustenta valorização da arroba

Além das exportações, o mercado doméstico tem contribuído para a sustentação das cotações do boi gordo.

O Cepea identifica um aumento no consumo de carne bovina e de outras proteínas pelas famílias brasileiras, associado à maior disponibilidade de renda e a mudanças nos hábitos alimentares.

Entre os fatores apontados pelos pesquisadores estão medidas de isenção do Imposto de Renda para determinadas faixas salariais, que ampliam a renda disponível para o consumo.

A proximidade das festas de fim de ano também aumenta a importância da demanda doméstica, período tradicionalmente marcado por maior procura por carnes.

Dessa forma, a combinação entre oferta restrita de animais, exportações ainda robustas e consumo interno aquecido mantém o mercado pecuário valorizado.

Para os próximos meses, o comportamento da oferta de bovinos terminados, o ritmo das exportações e a demanda doméstica serão fatores importantes para determinar se os preços da arroba conseguirão sustentar os atuais patamares históricos.

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