Em seu primeiro ano, CITAP consolida-se como referência em inovação no interior paulista

Por: Rogério Cabral

Há um ano, Pompeia, município de pouco mais de 20 mil habitantes na Alta Paulista, ganhou uma estrutura que até então só se via em polos como Campinas, São Carlos e São José dos Campos. O Centro de Inovação Tecnológica da Alta Paulista (CITAP), que contou com o apoio da Finep para a construção de sua estrutura física, completou seu primeiro aniversário em 2 de outubro com resultados que o colocam como referência nacional entre os ambientes formais de inovação.

Gerido pela Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FSNT), o CITAP é o único da região credenciado no Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI), do Governo do Estado de São Paulo. O selo garante reconhecimento oficial e abre caminho para recursos públicos e parcerias que antes passavam longe do interior.

“Quando criamos o CITAP, a meta era provar que a inovação de alto nível não precisa estar concentrada nos grandes centros”, diz Elvis Fusco, superintendente executivo da FSNT.

“Em um ano mostramos que a Alta Paulista tem talento, empresas dispostas a investir e uma vocação produtiva que, com ciência e tecnologia, pode competir em qualquer mercado.”

Credenciamento pela FAPESP

Uma das principais conquistas do ano foi a entrada do CITAP na lista de incubadoras credenciadas pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Com isso, o centro pode acompanhar tecnicamente empresas de base tecnológica em incubação que recebem recursos do Programa PIPE (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), uma das principais fontes de financiamento a startups científicas do país.

“Esse credenciamento é um atestado de maturidade”, afirma Denis Sakuma, coordenador do CITAP. “Um empreendedor da nossa região que conquista um projeto PIPE agora pode ser acompanhado aqui mesmo, com metodologia, mentoria e infraestrutura, sem precisar se mudar para a capital.”

BizSkill: 9 startups em um ano

Outra novidade foi o lançamento do Programa BizSkill, voltado à incubação e à aceleração de startups e empresas de base tecnológica. A criação do programa, que contou com investimento da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, já acelera 9 startups, em fases que vão da validação da ideia à chegada ao mercado.

Entre as startups residentes no CITAP, destaca-se uma plataforma de Economia Compartilhada (Sharing Economy), duas soluções voltadas ao agronegócio — uma dedicada a serviços agrícolas e outra à interpretação e gestão de imagens de satélite —, além de uma empresa de marketing digital, uma startup focada na estruturação da gestão de riscos psicossociais e, por fim, uma iniciativa voltada à gestão de projetos de fomento ao empreendedorismo e da inovação.

“O BizSkill nasceu para preencher uma lacuna. Muitos projetos ficavam pelo caminho entre o protótipo e o primeiro cliente”, explica Denis Sakuma. “Oferecemos capacitação em gestão, conexão com investidores e acesso às grandes empresas parceiras, que muitas vezes se tornam as primeiras clientes dessas startups.”

Pompeia, “capital das bolsas de inovação”

O primeiro ano também foi marcado por um resultado expressivo em fomento à pesquisa. A Fatec Pompeia Shunji Nishimura, parceira do CITAP no mesmo ecossistema, liderou as aprovações em edital da FAPESP entre as unidades do Centro Paula Souza. Foram 14 projetos de inovação aprovados, que somam 28 bolsas, nas áreas de agricultura digital, robótica, jogos educacionais, inteligência artificial, sistemas ciberfísicos e indústria 4.0.

“É um resultado que enche de orgulho, mas não é obra do acaso”, avalia Elvis. “Ele vem da integração entre ensino, pesquisa e mercado que construímos ao longo de décadas e que o CITAP agora potencializa. O estudante de Pompeia está resolvendo problemas reais, com recurso de uma das agências de fomento mais respeitadas do mundo.”

Parcerias com grandes empresas

Além do trabalho com startups, o CITAP executa projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) com empresas e instituições de grande porte, entre elas o Grupo Jacto, a Bayer, o BTG Pactual e o Senar Nacional. Os projetos cobrem desde soluções para o agronegócio até tecnologias digitais e de capacitação e contam com o apoio do CIAg, instituição de ciência e tecnologia, instalado no CITAP.

O centro mantém ainda o UpLab Senai, que apoia o empreendedorismo de base industrial, conectando as startups dessa modalidade ao Distrito Tecnológico do Senai SP.

Um dos programas de maior sucesso mantido pelo CITAP, é o InovaSkill, que conecta estudantes da Fatec Pompeia a desafios propostos por grandes empresas da região, como Grupo Jacto, Marilan, Cocal e ZDA. Os alunos desenvolvem soluções e as apresentam em formato de pitch a executivos e especialistas. Neste ano foram 24 empresas apoiadas pelo programa e com a participação de mais de 60 alunos.

“A grande empresa traz o problema real e a escala. A academia traz o conhecimento e o desenvolvimento tecnológico. O CITAP faz essa ponte com segurança jurídica, gestão de projetos e foco em resultado”, resume Denis Sakuma.

Cadeias produtivas locais

O impacto vai além de Pompeia. O CITAP tem apoiado cadeias produtivas locais em diversas regiões do Estado, nos setores de calçados, agroindústria, alimentos e tecnologia da informação.

Um exemplo é o projeto de automação inteligente para a higienização de aviários, feito com recursos do programa estadual SP Produz em parceria com a Fatec Pompeia, a Jacto Clean e a Associação para o Desenvolvimento da Indústria de Alimentos (ADIPA). O objetivo é fortalecer a cadeia do ovo de Bastos, um dos maiores polos produtores do país, e prepará-la para mercados internacionais.

“Cada região do Estado tem uma vocação. Nosso papel é levar tecnologia para que essas vocações ganhem produtividade, agreguem valor e gerem emprego qualificado”, afirma Elvis Fusco.

Próximos passos

Para o segundo ano, a meta é ampliar o número de startups incubadas, atrair novos projetos PIPE e aprofundar as frentes de cidades inteligentes e de convergência biodigital, que une biologia, agro e tecnologia digital. Contando com o apoio da Prefeitura de Pompeia e em consonância com o seu direcionamento estratégico, um dos objetivos é consolidar o munícipio como uma “tecnópolis” do interior paulista.

“O primeiro ano foi de fundação e de provar o conceito. Agora é hora de escalar”, diz Denis Sakuma. “Queremos que o jovem talentoso da Alta Paulista não precise ir embora para inovar e empreender. A inovação veio até ele.”

 

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