De acordo com o especialista, um sistema de baixa pressão sobre o Paraguai já favorece a formação de instabilidades, enquanto a atuação de um cavado atmosférico contribui para a ocorrência de chuvas fortes no sul de Mato Grosso do Sul, em São Paulo e no norte do Paraná.
A previsão indica a formação de um ciclone extratropical a partir de sexta-feira (16), associado ao desenvolvimento de uma frente fria. O sistema deve canalizar umidade e reforçar as precipitações, principalmente na semana de 19 a 23 de outubro.
Nesse período, os acumulados podem variar entre 100 e 150 milímetros em áreas de São Paulo, sul de Mato Grosso do Sul e Paraná, o que pode prejudicar o andamento das atividades agrícolas.
Para esta terça-feira (13), o meteorologista também alerta para a possibilidade de rajadas de vento intensas e queda de granizo, principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
Chuvas avançam pelo Brasil Central e favorecem plantio da soja
A chegada gradual das chuvas ao Brasil Central tem contribuído para o avanço do plantio da safra de soja 2026/27.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), citados pelo meteorologista, a semeadura da oleaginosa está 4,5 pontos percentuais à frente do ritmo registrado no mesmo período do ano passado.
Em Mato Grosso, mais de 25% da área prevista já foi semeada, enquanto o Paraná lidera o avanço dos trabalhos, com 36% da área cultivada.
Mato Grosso do Sul também apresenta evolução significativa em relação ao ano passado, favorecida pela redução temporária das chuvas e pela boa umidade do solo.
Arthur Müller explica que as precipitações recentes ajudaram a recuperar as condições de umidade no centro-sul de Mato Grosso e de Goiás. Entretanto, áreas do centro-norte do país ainda precisam de volumes mais expressivos para garantir condições adequadas ao plantio.
Em São Paulo, o excesso de chuva tem dificultado o início dos trabalhos em algumas áreas. Já no Tocantins, o problema é a falta de umidade no solo.
O meteorologista recomenda cautela aos produtores que dependem exclusivamente das chuvas para o desenvolvimento das lavouras.
Segundo ele, o ideal é aguardar a recuperação da umidade do solo antes de iniciar a semeadura em áreas de sequeiro, reduzindo os riscos para o estabelecimento inicial da cultura.
Matopiba deve receber chuva, mas volumes ainda serão baixos
O avanço das instabilidades também deve beneficiar áreas do Matopiba, região agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A previsão indica acumulados iniciais entre 10 e 15 milímetros em áreas do centro-norte do Brasil, sinalizando uma retomada gradual das precipitações.
De acordo com Arthur Müller, a tendência é de que a chuva avance nas próximas semanas, especialmente após a metade de outubro.
Por volta da semana do dia 25, algumas precipitações também poderão alcançar o Agreste nordestino.
Apesar da perspectiva de melhora, o meteorologista ressalta que os volumes previstos ainda não serão suficientes para reverter o déficit hídrico acumulado em diversas localidades.
Enquanto a chuva avança gradualmente, o calor continua intenso em parte do Centro-Norte, com temperaturas máximas que podem chegar a 40°C em Mato Grosso e no Tocantins.
Veja a previsão de chuva para importantes regiões produtoras de soja:
O meteorologista também apresentou projeções de precipitação para municípios estratégicos da produção agrícola, considerando os próximos 30 dias e a tendência para novembro e dezembro.
Sorriso (MT): chuva deve aumentar em novembro
Em Sorriso, importante polo produtor de soja de Mato Grosso, a previsão indica chuvas irregulares, mas com acumulados próximos de 100 milímetros nos próximos 30 dias.
Segundo Arthur Müller, esses volumes devem contribuir para o desenvolvimento inicial das lavouras recém-semeadas.
A expectativa é de intensificação das precipitações a partir de novembro, com acumulados que podem alcançar 200 milímetros em períodos de 30 dias durante novembro e dezembro.
Toledo (PR): produtores devem aproveitar janelas de tempo firme
No oeste do Paraná, a região de Toledo deve apresentar períodos mais favoráveis às atividades agrícolas entre 16 de outubro e o fim do mês.
O meteorologista destaca, entretanto, que os produtores precisam aproveitar as janelas de tempo firme, já que a tendência é de aumento significativo das precipitações em novembro e dezembro.
Para esse período, a previsão aponta acumulados superiores a 300 milímetros, o que pode limitar os dias disponíveis para operações no campo.
Uberaba (MG): acumulados podem chegar a 200 mm em 30 dias
Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a previsão indica aproximadamente 200 milímetros de chuva nos próximos 30 dias.
O meteorologista também aponta períodos de tempo mais firme a partir do dia 19 e entre os dias 25 e 28 de outubro, que poderão favorecer o avanço do plantio.
Para novembro e dezembro, a tendência é de continuidade das precipitações, com acumulados que podem alcançar 300 milímetros.
Temporais exigem atenção dos produtores rurais
Com a atuação de sistemas de baixa pressão, cavados atmosféricos e a previsão de formação de um ciclone extratropical, o Centro-Sul do Brasil deve enfrentar períodos de instabilidade nos próximos dias.
O maior risco imediato de temporais está concentrado no sul de Mato Grosso do Sul, em São Paulo e no norte do Paraná, onde podem ocorrer chuva intensa, rajadas de vento e granizo.
Na semana seguinte, entre 19 e 23 de outubro, a previsão de acumulados entre 100 e 150 milímetros nessas áreas aumenta a preocupação com possíveis interrupções das atividades agrícolas.
Enquanto isso, no Brasil Central, a chegada gradual das chuvas tende a melhorar as condições para o plantio da soja, embora algumas áreas ainda dependam de maior recuperação da umidade do solo.