São Paulo soma mais de 4,3 mil acidentes com abelhas e quatro mortes em 2026

Por: Rogério Cabral

Apesar de sua grande importância ambiental, especialmente para a polinização, esses insetos podem apresentar comportamento altamente defensivo quando o enxame ou a colônia é perturbado, aumentando o risco de ataques e múltiplas ferroadas.

Uma única ferroada, em geral, não representa gravidade para pessoas não alérgicas. Entretanto, acidentes com grande número de ferroadas podem provocar intoxicação sistêmica, com alterações musculares, sanguíneas e renais e, nos casos mais graves, risco de morte. Pessoas alérgicas, por sua vez, podem apresentar reações graves mesmo após poucas ferroadas.

Barulhos intensos, vibrações, podas de árvores, obras e, principalmente, tentativas inadequadas de remoção ou extermínio podem desencadear o comportamento defensivo. Aumento do zumbido, voos agitados e grande quantidade de abelhas deixando o ninho são sinais de alerta.

Importância da prevenção

Os acidentes envolvendo abelhas constituem um importante problema de saúde pública. Em 2025, foram registrados aproximadamente 6.200 acidentes em São Paulo, com 15 óbitos. Em 2026, já foram contabilizados 4.342 acidentes e quatro óbitos.

Em Botucatu, foram registrados 14 acidentes em 2025 e, em 2026, oito acidentes e dois óbitos. Os números gerais demonstram que, embora a maioria das ocorrências não evolua para quadros graves, o risco deve ser levado a sério, especialmente nos episódios envolvendo múltiplas ferroadas.

A demanda atendida pela VAS também é significativa: foram 450 ocorrências envolvendo abelhas africanizadas em 2025 e 534 solicitações em 2026, reforçando a importância da informação e da adoção de medidas preventivas pela população.

Não tente realizar o manejo por conta própria

A Lei Municipal nº 6.877/2026 regulamenta a criação e o manejo de abelhas africanizadas em Botucatu com o objetivo de prevenir acidentes envolvendo pessoas e animais. A legislação estabelece que o manejo, a captura e a remoção devem ser realizados por profissionais com capacitação técnica específica.

Por isso, ao identificar um enxame ou colônia, a orientação é manter distância e não tentar remover, queimar, aplicar inseticidas, jogar água ou provocar as abelhas. O manejo físico ou químico por pessoas não habilitadas é expressamente proibido pela legislação municipal.

Em uma situação de ataque ou comportamento defensivo, a pessoa deve afastar-se rapidamente, proteger principalmente o rosto e a cabeça e procurar abrigo em local fechado. Crianças, idosos e animais devem ser afastados, e a área deve permanecer isolada sempre que possível.

A VAS realiza a avaliação das ocorrências e, quando indicado, o manejo adequado, buscando reduzir os riscos à população e, sempre que possível, possibilitar a preservação das abelhas. A própria Lei determina que as demandas envolvendo colônias ou enxames em situação de risco sejam inicialmente avaliadas pela Vigilância Ambiental em Saúde.

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