El Niño pior do que o previsto? Sojicultora comenta precaução necessária na safra 26/27 de soja

Por: Rogério Cabral

Vem aí uma nova safra de soja, e as condições climáticas devem exigir atenção redobrada dos produtores. Em entrevista ao Soja Brasil, a produtora rural Taissa Botton, comentou as preocupações para a safra 2026/27 diante da possibilidade de um El Niño mais intenso do que o inicialmente previsto.

Segundo ela, um cenário climático adverso pode interferir diretamente no calendário das operações agrícolas, desde o plantio até a colheita, além de afetar o planejamento de outras culturas.

“Se nós tivermos um El Niño um pouco pior do que o previsto, isso vai impactar diretamente a nossa produção. O tempo do plantio, o tempo da colheita, tudo isso vai ser muito influenciado. E não apenas isso, mas a própria cultura”, disse Taissa.

A produtora explica que qualquer atraso no plantio da soja pode comprometer também a janela ideal para o cultivo do milho. “Muitas vezes nós plantamos a soja muito rápido para conseguirmos plantar o milho dentro da nossa janela. E, diante de uma previsão de El Niño em que talvez nós tenhamos que atrasar um pouquinho o plantio, isso pode impactar diretamente no milho”, apontou.

Diante desse cenário, Taissa avalia que alguns produtores poderão precisar rever o planejamento da próxima safra. “Talvez seja melhor nós trocarmos a cultura ou observarmos outro tipo de cultura. Então, confesso que fiquei um pouquinho assustada”, afirmou.

Além das incertezas climáticas, os custos elevados de produção também preocupam. Para a produtora, a combinação entre clima, despesas no campo e condições de financiamento exige cautela por parte dos agricultores.

“Temos que ter muita cautela. O custo é extremamente elevado em razão da guerra, dos nossos insumos. Justamente em razão dessa previsão de termos uma seca, temos uma preocupação com a semente que virá no próximo ano”, explicou.

A possibilidade de um período mais seco também pode aumentar a pressão de pragas nas lavouras e elevar a necessidade de aplicações de defensivos. “Uma vez que nós temos seca, muito provavelmente teremos mais pragas na lavoura, e isso não é bom para ninguém, nem para o produtor e nem para o próprio grão”, destacou.

Na avaliação de Taissa, outro ponto de atenção está na comercialização da produção. Mesmo diante de uma possível redução da produtividade, ela não vê garantia de que os preços da soja acompanhem essa queda na oferta.

“Embora tenhamos uma previsão de baixar um pouquinho a produtividade, o nosso preço não pode não reagir conforme deveria, e nós estamos em uma época de endividamento muito alto”, afirmou.

Para a produtora, o cenário reúne três fatores preocupantes: menor produção, custos elevados e preços que podem não acompanhar as necessidades do produtor. “Então nós teremos uma baixa produção com um custo alto e um preço que não acompanhará, juntamente com um endividamento alto, que já vem de uma, duas safras”, concluiu.

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *